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Publicado em: 2012-01-07
Começar bem o novo Ano
Dar Alegria - é Grátis - é Dado

Antes de mais um Bom Ano para todos os visitantes!

E, para o começar da melhor maneira, oferecemos-lhe ficheiro pdf. para imprimir: Citação e Calendário - JANEIRO 2012  

:)

 
“Ana Maria procura as prateleiras com o olhar. Tem olheiras fundas, mãos ásperas, ombros descaídos. Dir-se-ia que carrega o Mundo às costas. Quase. Tem três filhos, espera outro, está desempregada. Não é fácil arrancar-lhe um sorriso, e quando se consegue, é um meio-sorriso com poucos dentes, que procura tapar com os dedos. «Vem aí o frio. Tenho de arranjar roupa quentinha para os meus filhos. Eles crescem tão depressa …»

Enquanto desabafa sobre a voracidade a que o tempo passa, os olhos de Ana Maria continuam a escrutinar prateleiras. Saias de bombazina, casaquinhos de lã, calças de sarja. «A minha mais velha é uma vaidosa … ficava doida se lhe levasse isto aqui», diz, apontando para uma camisola da Hello Kitty. A voluntária sorri. «Então, leve! Leve e desfrute dessa felicidade.» Ana Maria parece nem querer acreditar que pode realmente, que a filha vai poder vestir aquela roupa, um luxo. «E não pago nada? A sério?» A sério.

Anabela Flores é uma das pessoas responsáveis pela loja solidária É Dado, da Caritas Diocesana de Lisboa. Nesta loja, tudo é dado, literalmente. Não é metáfora para preços baixos. Quem chega não precisa de carteira, Multibanco ou cheque. Sai com roupa e sapatos para a estação que se avizinha e não tem de desembolsar um tostão. A loja abriu em Junho e tem tido uma adesão enorme por parte de quem quer dar roupa a quem não tem. «É extraordinário. A roupa que aqui está exposta é uma ínfima parte do que temos armazenado. As pessoas têm sido muito generosas e entregam muita coisa boa. Às vezes, coisas de marcas incríveis que nem nós imaginamos vir a ter no nosso roupeiro! Agora, precisamos é de divulgar que a loja existe e passar a mensagem de que as pessoas podem vir buscar roupa à vontade.»

No início, as voluntárias pensaram que seria melhor só entregar roupa a quem viesse referenciado de alguma instituição. «Queríamos ter a certeza de que dávamos roupa a quem realmente precisava.» Depois, as peças começaram a amontoar-se e ficou o receio de ficar muita gente de fora. «Sentimos que não íamos chegar a quem realmente precisava. E então, agora, preferimos correr o risco de dar a quem não tem necessidade, mas chegar aos outros, que precisam tanto. Quem chega já não precisa de responder a perguntas, nem estar referenciado, nem coisa alguma. Basta chegar e escolher. Sem vergonhas, sem embaraços. Assim, chegamos a mais gente. E sentimo-nos recompensados quando aparece alguém que fica feliz por levar roupa que lhe fazia falta.»

Anabela Flores tem 45 anos e sempre soube que um dia havia de se dedicar ao voluntariado. Começou pela Ajuda de Mãe, desde o arranque do projecto. «Ser voluntária fazia parte do meu projecto de vida. Mas na Ajuda de Mãe era diferente, não tinha muito tempo livre e, por isso, creio que só agora é que dou verdadeiramente o meu tempo ao voluntariado. Porque antes tinha filhos pequenos, tinha uma carreira, tinha os segundos contados. Gostava – e gosto muito – da Ajuda de Mãe. Mas só colaborava pontualmente. Aqui, na loja, venho aos sábados e às vezes venho durante a semana e tenho uma dedicação completamente diferente.»

Ana Maria, por outro lado, vai escolhendo, mas nota-se que não quer abusar. «Se calhar, levava umas calças para o meu mais novo … rompe--as muito nos joelhos …» A voluntária que a ajuda encoraja-a: «Esteja à vontade, minha senhora. Esteja à vontade! Há aqui muita roupinha para todas as idades e tamanhos. Leve também para si. Vamos aqui ver estas blusinhas.»

Mal surgiu a ideia de abrir uma loja em que tudo era grátis, as voluntárias arregaçaram as mangas. Era preciso dar nova vida a uma loja que estava fechada e servia de armazém. Aproveitaram prateleiras, armários, pintaram paredes, trataram das roupas que iam chegando: «Recebemos a roupa em sacos e depois temos de escolher. Há coisas que vão para o lixo. Não estão em condições de ninguém vestir. Outras têm de ser lavadas e há ainda as que precisam de botões, de bainhas, de arranjos diversos. Só queremos ter roupa impecável nas prateleiras. Para que as pessoas se sintam como numa outra loja qualquer. Para que sejam tratadas com a dignidade que merecem.»

Há muito trabalho na loja É Dado. Além da escolha das roupas, é depois preciso dividi-las por tamanhos. E agora, na mudança de estação, é necessário guardar T-shirts e blusinhas frescas e trocá-las por agasalhos. E depois é preciso atender quem chega. Muitas vezes, cabisbaixo, sem auto-estima, sem trabalho. Até isso a loja já conseguiu mudar. «Um dia, recebemos aqui um ex-presidiário que nos contou um pouco da sua história. Tempos depois, voltou, contente, a dizer que tinha ido a uma entrevista para um emprego com a roupa que tinha levado daqui e que havia sido admitido. Que, por nossa causa, a vida dele estava a mudar. É este tipo de histórias que fazem que o nosso trabalho valha a pena, são coisas como esta que fazem do voluntariado algo tão gratificante.»

Neste momento, aquilo de que esta loja solidária mais precisa nem sequer é de roupa, curiosamente. Neste momento, o que faz falta é escoar. «Precisamos que outras instituições aproveitem o que aqui temos. Que venham buscar roupas. Se houver outras lojas solidárias no País a precisarem … força! E gostava que as pessoas, individualmente, soubessem que estamos aqui, que ninguém lhes vai perguntar nada, nem pedir nada, que é só chegar, escolher e levar.» Quanto a mais oferta de roupa, Anabela não recusa, claro. Mas o que dava mais jeito era vestuário de homem: «Calças de ganga, ténis, camisolas … Temos muito mais roupa de mulher.»

Além da roupa, há também brinquedos e livros. «As crianças, quando vêm com os pais, ficam todas felizes quando lhes oferecemos um miminho. Se visse o sorriso delas … vale tudo.» E às vezes, em conversa com as pessoas, pode estender-se a ajuda a outros campos. «Não é esse o nosso campo, mas ainda no outro dia chegou uma viúva com três filhos. Começou a contar a vida dela, e nós percebemos que lhe faltava quase tudo. Então, arranjámos um microondas e outras coisas que ela não tinha. Há tanta gente com carências tão básicas … Se pudermos dar uma ajuda, porque não? Deixa-me muito feliz poder ajudar quem precisa.»

Anabela Flores vive este projecto desde o início e vibra com a possibilidade de dar a mão aos outros, de lhes devolver a dignidade. E já tem outro projecto em mãos. «Apareceram aqui tantas pessoas a quererem ser voluntárias que estamos a pensar aproveitar essa mão-de-obra para desenvolver uma ideia muito gira. É, no fundo, fazer o caminho inverso desta loja. Em vez de as pessoas virem à procura de roupa, será embalar e levar vestuário a quem precisa. Estou muito entusiasmada.»

Quem também tem um brilho no olhar é Ana Maria. Continua com olheiras fundas, mãos ásperas, ombros descaídos. Dir-se-ia – ainda – que carrega o Mundo às costas. Mas o sorriso já não parece trancado a sete chaves dentro da boca. Com os sacos na mão, Ana Maria parece diferente. Leva roupa para os filhos, para si e para o marido. Tem no olhar uma comoção grande. Agradece. Agradece muito. Anabela e as outras voluntárias olham-na e ganham o dia. A verdade é que todos ganham nesta loja solidária. Tudo sem se trocar um cêntimo.”
 

MORADA:
É Dado
R. Manuela Porto, 12. Carnide.
Horário: Terças e quintas, das 9 às 12 h; sábados, das 15 às 17 h.

Título original: “Anabela Flores – dar alegria”

A loja abriu há pouco tempo, e ela só quer espalhar a notícia e a alegria. Precisam de roupa? Venham buscar. É grátis. É dado.

By Sónia Morais Santos - http://www.seleccoes.pt

  

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