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Publicado em: 2007-12-29
Música digital não pára de crescer

AAmazon assinou um acordo com a Warner Music para vender canções em formato mp3 na sua popular loja virtual Amazon mp3. Segundo um comunicado da loja, a oferta de canções alarga-se para 2,9 milhões de temas sem a protecção DRM ("digital rights management" ou gestão digital dos direitos), o que permite que os ficheiros sejam tocados em qualquer leitor portátil, computador ou ainda gravadas para um CD. O anúncio surge escassos meses após a decisão da EMI e da Universal Music de vender música em mp3 livre de restrições anti-cópia.

Com esta medida, a Amazon fortalece a sua concorrência perante a Itunes. Nesse sentido, a Amazon também tem desenvolvido várias acções promocionais. Uma das mais visíveis passa pelo recente acordo com a Pepsi, que entrará em vigor nas próximas semanas e que consiste na oferta de um mp3 gratuito a todo aquele que juntar cinco cápsulas da famosa bebida.

Esta notícia surge no final de mais um ano que veio solidificar uma certeza a indústria discográfica tal como a conhecíamos entrou em colapso e nada mais lhe restou do que se adaptar a uma nova ordem, a das novas tecnologias, que vieram modificar substancialmente os hábitos de consumo.

As vendas de CDs há muito que entraram em declínio - e 2007 veio confirmar a tendência. Recorde-se que, em Abril do ano passado, os Gnarls Barkley entraram na história quando o single "Crazy" alcançou a liderança do top apenas com as vendas por download, uma semana antes da sua edição em CD. O episódio revelou-se como mais um factor sintomático das mudanças de hábitos de consumo de música.

Já este ano, foram os Radiohead que fizeram tremer a indústria, ao terem disponibilizado o seu álbum "In Rainbows" em mp3 através do site oficial, com a particularidade de o preço ser definido pelo comprador. A manobra não era nova - a cantora canadiana Jane Siberry já o fizera há quase três anos -, mas afigurou-se revolucionária, pois foi a primeira vez que uma banda que vendia milhões de discos adoptou semelhante política de vendas.

E valeu a pena? Ora, segundo a publicação norte-americana "Wired", os Radiohead facturaram qualquer coisa como 2,5 milhões de dólares só no primeiro mês de vendas - uma quantia significativa tendo em conta que não foi repartida com qualquer editora ou intermediários. A política do "pague o que quiser" afigurou-se, portanto, bastante compensadora Thom Yorke já admitiu que os membros da banda ganharam mais dinheiro com este disco do que com os outros anteriores todos juntos.

Este ano trouxe ainda outra novidade a venda de música no suporte USB. Uma das mais bem sucedidas bandas que optou por vender a música numa dessas "pen drives" foram os britânicos Hadouken, trupe de jovens que alinham num movimento a que se convencionou chamar nu rave.

Além da quebra significativa nas vendas do CD e no aumento visível na compra do formato digital, o ano que agora finda trouxe um dado bastante curioso o velho formato vinil parece estar a renascer, ainda que, para já, em números quase residuais. Certo é que muitas das novas bandas têm optado por lançar os novos discos também em vinil, ao mesmo tempo que as próprias lojas vão começando a alargar as suas secções destinadas ao stock do velho formato. Este fenómeno - impensável há meia dúzia de anos - tem desencadeado discussões na blogosfera e uma das teorias mais consistentes assenta precisamente nesta explicação: daqui a dez ou 20 anos, ninguém de bom senso se irá gabar dos downloads que fez em 2007, enquanto que o objecto de vinil possui um charme e potencialidade capaz de seduzir bastantes coleccionadores de música.

As próprias bandas e editoras já se aperceberam de semelhante tendência e têm optado por uma estratégia certeira colocam o disco (álbum ou single) à venda no formato vinil a um preço normal (entre 10 a 15 euros, aproximadamente) e o consumidor que compre o objecto terá direito a um link e a um código que lhe permite fazer o download gratuito de todo o disco no formato mp3, de maneira a poder ouvi-lo nos novos leitores portáteis.

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