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Publicado em: 2015-03-01

Artesanato de Junco - 100% nacional, útil e muito original

"Andámos uns dias pelas margens do Lima à procura do artesanato de junco, que em tempos foi ofício comum nesta terra.

Perguntámos aqui, perguntámos ali, e foi este boca-em-boca que nos levou à porta da Tia Mena do Rio. Batemos, chamámos e até espreitámos pela fechadura, mas em vão. Já cá não mora a Tia Mena.

Voltámos ao ramerrame e acabámos por ir ter à porta da Maria do Carmo, que em cachopa foi aprendiz da tia Mena do Rio – não, como a maioria das catraias, por obrigação, porque a sua mãe, diferentemente da maioria, não era do junco que vivia. No seu caso, aprendeu só porque sim.

Aos 14 anos, o pai faz-lhe a vontade e monta-lhe um tear, que lhe deu o sustento durante anos. Até que “Portugal entrou na CEE e rebentou com a tradição”. Largou o tear e fez-se operária numa fábrica de componentes eléctricos. Durante os anos que lá trabalhou, ainda ia tecendo, consoante a disposição e o tempo – já não no tear de madeira que o pai lhe dera, que esse já há muito estava arrumado na cave e pouco lhe faltou para acabar na fogueira; para a quantidade que produzia bastava-lhe então um pequeno tear móvel.

Foi há um par de anos, quando a fábrica fechou, que se lembrou do velho tear de traves rijas e o voltou a montar num anexo da casa, onde agora passa os dias, na companhia da cadela Luna e ao som do clarinete que os filhos ensaiam lá dentro.
 

“O trabalho que isto dá!” 
É nos terrenos alagadiços das margens do Lima, à entrada em Viana do Castelo, que Maria do Carmo colhe o junco. Diligente como a formiga, é na estação quente que amealha o mais que pode, para garantir fartura de matéria-prima para um ano de trabalho.

Quando o nível das águas baixa, toda a família é mobilizada para a faina. Nesses dias, é ainda madrugada que se calçam as botas de água e se enfrenta o lamaçal, numa corrida contra o tempo – é ver o mais que se pode recolher até à hora em que as águas começam a tocar os joelhos. É hora de voltar para casa.

Mas ainda há muito a fazer até que o junco esteja manuseável. Primeiro, é preciso enxofrá-lo e pô-lo a corar. O junco é então disposto em postas cruzadas, a formar um círculo. No meio, ferve uma panela de enxofre, cujos vapores vão branquear os caules de aspecto musgoso. Correndo o tempo de feição, são precisos 15 dias a corar. Só então é guardado.

A lavagem só tem lugar antes da utilização – até porque para se conservar, o junco precisa de estar bem seco, sem humidade. À medida que vai precisando, a artesã vai lavando na pia pequenos feixes de junco. Só água e o esforço da fricção entram neste processo. Segue-se nova enxofragem, para amolecer as fibras.

Se a obra a produzir segue as feições tradicionais, parte deste junco vai a tingir, para compor os motivos de cor que tradicionalmente decoravam as cestas: flores, formas geométricas ou simplesmente listras alternadas de cor.

O tingimento faz-se por imersão numa panela de água com anilinas em fervura. O mesmo se aplica ao fio de juta que vai cozer as placas tecidas que formam as frentes e as laterais das cestas, assim como as pegas.

Está finalmente tudo pronto para a urdidura do junco. No tear, são armados os fios de juta. De pé, vergada sobre o tear, Maria do Carmo vai entremeando os caules de junco nos fios de juta, ora em cor, ora em tom natural, ora em cor, ora em tom natural, ora em cor, ora em tom natural. Nos dedos formam-se bolhas, que com os dias se convertem em calos. A pancada seca de um pente de madeira vai comprimindo, de tempos em tempos, a urdidura. Entre uma pancada e outra, as cores do junco tingido vão-se entranhando na pele.

Daqui saem placas compactas, que cosidas, vão formar as frentes e as laterais das cestas. É nas placas da frente e das costas que se pregam, por fim, as pegas. Com um punhado de junco, é feito um torcidinho, pregado nas duas extremidades à parte superior de uma das frentes da cesta. Outro torcidinho, para a pega da costa. Por baixo de cada pegas um pequeno pau dá à urdidura o reforço que se exige de uma cesta feita para carregar as compras da semana, o farnel do almoço e o piquenique do fim-de-semana.


Ao gosto do freguês. 
Sim, cestas para as compras, para o farnel e para os piqueniques, mas não só: cada vez são mais os pedidos para umas cestas diferentes, à feição dos gostos e das modas. Ainda há dias, uns designers lhe encomendaram umas quantas, à medida das actuais shoppers: compridas, estreitas, com alças, sem motivos nem cores. Uma outra designer olhou as placas de junco que aguardavam costura, e logo ali concebeu uma clutch para compor o traje em dias especiais.

São as cestas que mais se procuram, é certo, mas não são o exclusivo da casa: esteiras, biombos, tapetes e persianas são só mais umas quantas possibilidades. 
Do que a Maria do Carmo gosta mesmo é de desafios…

CATÁLOGO:

http://www.feiradebarcelos.com/catalogo/cestaria/cestaria-junco.html

(Fonte: Feira de Barcelos - blog)

 

Videos:



Publicante:
Entidade:SoNaturalVibe - Infos e Dicas com Boa Onda
Nome: C.D
Cargo: Designer


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