2007-05-03    -    [ Página Pessoal ]
 
Coisas más da vida

A DOR DE PERDER…

 

 

É difícil saber por onde começar. São muitas emoções, demasiado intensas para que consiga exprimir-me com coerência…

Dia 14 de Setembro de 2006 marcou o desabar de mais um sonho, do mais importante dos sonhos…dia 22 foi sinónimo de um adeus rápido, doloroso e cruel a um ser tão desejado por mim, enquanto mulher… e todos os dias desde ai têm sido o meu inferno pessoal!

Desenganem-se os que me são próximos e tentam fazer sentir que não estou sozinha nesta provação. Sei que as intenções são as melhores mas de nada servem…este sofrimento e esta dor são meus e ninguém mos pode tirar, aliviar ou viver por mim! Ninguém os pode viver com a proximidade e a intensidade que os vivo…é assim que sou, que sinto e que vivo: com intensidade! Não sei fingir que estou bem ou que sou feliz, não consigo viver as coisas pela metade, mesmo sabendo que me prejudico com esta forma de ser…

É com essa intensidade que hoje me sinto cansada, vazia, seca, perdida, triste, solitária, fraca, vulnerável, enganada, traída, revoltada, injustiçada, frustrada, cheia de dúvidas…Estou perdida, sem rumo, sem forças para lutar…Tudo o que algum dia tomei por garantido desapareceu, os meus sonhos desfazem-se, os meus objectivos caem por terra, as minhas ambições desaparecem…Já quase não me lembro do tempo em que acreditava que muito de bom me estava destinado e que, por isso, a vida valia a pena ser vivida…que tola ingénua! Hoje, apenas tenho como certo que a vida é um imenso mar de lágrimas…

Tenho medo do futuro e do que ele me reserva, não tenho armas nem vontade de o enfrentar…sinto-me menos mulher do que a pior mulher do mundo…sinto que não sei ser mulher, nem esposa, nem filha, nem amiga e muito menos mãe pois até a minha filha fui incapaz de proteger! Como posso ter a pretensão de ajudar quem quer que seja, se nem a mim mesma consigo ajudar?!

Começo a aperceber-me que os que me são mais próximos já estão cansados de mim, de terem que se preocupar comigo…é natural, sempre os deixei acreditar que era uma fortaleza em quem podiam confiar e apoiar-se…a arrogância natural de quem é jovem e ainda não viveu! Agora, dão-se conta que não sou mais do que um frangalho, uma sombra do que já fui, um corpo sem vontade e sem força e isso assusta-os…Sobretudo, porque quando me olham, vêem-se confrontados com as suas dores pessoais que tanto se esforçam por esquecer, para se arrastarem em frente…

Peço imensa desculpa por tudo o que os faço sentir e recordar, mas neste momento não consigo sentir-me melhor, nem fazer-vos sentirem-se melhor…por isso prefiro isolar-me e não os contaminar, ainda que não consigam entender. Sei que o mundo não pára, sei que a vida tem de continuar mas para já não consigo pensar nisso…por muito egoísta que possa parecer, por enquanto, a felicidade dos outros, o seu prazer de viver magoam-me, não os consigo partilhar, já não acredito…talvez um dia, mais tarde, quando o sol voltar a brilhar…